domingo, 27 de dezembro de 2009

Viver a vida

Em outubro, pouco antes da Sete Fios estrear, nós decidimos que haveria uma confraternização de inauguração da revista. Pois é, eu não sei se vocês sabem, mas um dos Fios mora em Jundiaí, outro em Poá, outro em Barueri. Outro tem horários restritos no trabalho, e um quinto Fio pegou um freela grande nesta época. Resumo: não rolou nenhum encontro.

Mas, com o final do ano se aproximando, tínhamos que nos reunir para planejar 2010. Eu sugeri um café da manhã em minha casa, que apesar de ser em São Paulo, não é lá muito perto de nada.

Não sei como, mas achamos uma data em que todos poderíamos nos encontrar! Oba! A Carla, que além de ser o fio da amizade, é também um dos (muitos) fios da organização, na hora já mandou um e-mail perguntando o endereço, o que levar de guloseimas, se seria só uma confraternização ou se efetivamente faríamos reunião no dia.

Ficou combinado que iríamos nos divertir e deixar o planejamento para sexta-feira (então aguarde, teremos novidades em 2010!). Aí no dia 15 de dezembro baixou a dona de casa em mim e eu me levantei às 8h da manhã (e olha, eu tenho ojeriza a acordar cedo) pra comprar pão fresquinho e arrumar a mesa.

Após umas ligações meio desesperadas da Mari (já foi contada nesse blog a dificuldade de localização de grande parte dos membros dessa revista), eles conseguiram achar meu prédio. Com cookies, bolachinhas e dois tipos de bolo, realmente parecia coisa de novela, e por isso batizamos nosso café de Viver a vida.

Foram recebidos com a devida discrição pela minha cachorrinha, a Lara, que não pondera muito sobre a possibilidade das pessoas não compartilharem da afeição que nós temos por ela. Assim, saiu pulando em cima de todos, sem muito comedimento. Após o susto, ela virou a mascote da revista (desculpa, mas a Lara é uma coisa muito fofa mesmo).

Entre os tópicos altamente inteligentes, comentamos pela enésima vez o filme UP – Altas Aventuras, que tem o gordinho mais gracinha de toda a história, os nossos sonhos (o Eliseu assustou a todos ao contar sua experiência em um campo de concentração) e também falamos um pouquinho da Sete Fios, porque ninguém é de ferro.

Mas a gente bem sabe que quando a conversa é boa, o tempo passa rápido, e já era hora de voltar pra USP. Nós somos em sete e aquela propaganda sobre gigante para quem anda não condiz totalmente com a realidade do meu carro, um Fox.

Então nós fomos parecendo uma lata de sardinhas, com eu e Eliseu na frente, e Mari, Sté, Rapha e Ana dividindo o banco traseiro. No caminho, a nossa sorte é tão grande que fomos praticamente escoltados por uma viatura da polícia e depois cruzamos com uns três ou quatro carros da CET, que cuidavam de um semáforo quebrado.

Ainda assim, a aventura rendeu altas risadas e conseguimos, finalmente, nos encontrar um pouquinho sem pensar em tantas metas e planejamentos.

Foi a nossa despedida de 2009. Agora, esse post é a despedida da Sete Fios do ano que passou, mas em 2010 continuaremos por aqui, com outras boas histórias para contar.

Por enquanto, queremos agradecer a vocês, nossos leitores, pela atenção nestes últimos dois meses, e desejar a todos um excelente Ano Novo!

Tainara Machado

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

PRIMEIRO TROFÉU SETE FIOS

A fiarada que deu o que falar em 2009

Em dezembro, costumam surgir listas com nomes de pessoas que chamaram a atenção por diferentes motivos no ano que passou. As escolhas costumam ser bastante subjetivas. Na lista formulada pela Sete Fios, não poderia ser diferente:


CATEGORIA 1 - Enfiado

>> Michael Jackson, o excêntrico cantor da música pop, que morreu em junho deste ano após uma parada cardíaca e foi colocado no Mausoléu da família. Enfiado em encrencas e escândalos quase semanalmente, lá ele jaz em paz e ao som de Thriller!

CATEGORIA 2 - Fio da navalha

>> José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, pelo escândalo do Mensalão no seu governo. Foram mais de três pedidos de impeachment abertos contra Arruda. Até agora, nenhum deles foi votado. Em vez de pizza, o caso deve acabar em panetone.

CATEGORIA 3 - Fio de ouro

>> Cesar Cielo, nadador, pelo recorde mundial nos 50m livre, pelos títulos mundiais dos 50m e dos 100m. E ainda dizem quem em 20s91 não dá pra fazer quase nada...

CATEGORIA 4 - Por um fio

>> José Sarney, presidente do Senado, que quase perdeu o comando da Casa por causa de uma série de denúncias envolvendo seu nome e o de sua família.

CATEGORIA 5 - Fio dental

>> Geisy Arruda, estudante da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo), que por causa de um vestidinho, digamos, curto demais virou celebridade instantânea.

CATEGORIA 6 - Fio do discurso

>> Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, pela frase duplamente fedorenta: “Quero saber se o povo está na merda e quero tirar o povo da merda em que ele se encontra”.

CATEGORIA 7 - Fio de cabelo

>> Ana Maria Braga, apresentadora da TV Globo, que sofreu diversas mutações em seu cabelo em 2009 e parece ter como meta atingir o visual "Louro José".

CATEGORIA 8 - Fio da meada

>> Palmeiras, time de futebol paulista, que depois de liderar com folga o Campeonato Brasileiro fez a porquice de perder o fio da meada e não conseguir nem se classificar para a Libertadores 2010.

CATEGORIA 9 - Fio solto

>> Rubens Barrichello, piloto de Fórmula 1, que esteve várias corridas na briga pelo título de 2009, mas ficou apenas em 3º lugar. Ganhou, entre torcedores, a imagem de eterno segundo lugar e, para completar, a mola que atingiu - e quase matou - Felipe Massa escapou de seu carro. Um caso à parte no mundo do automobilismo.

CATEGORIA 10 - Fio de luz

>>
Jesus Luz é realmente iluminado. Só neste ano começou a pegar a Madonna - rainha do pop -, desfilou em grifes famosas, fez campanhas publicitárias, ganhou de sua amada um apartamento em Nova York de, aproximadamente, 1,7 milhões de libras e ainda trabalha como Dj nas noites desse mundão. Isso sim é um garoto de mil e uma utilidades.

Créditos das fotos: 1) Link; 2) Link; 3) Satiro Sodré/CBDA; 4) Divulgação; 5) Link; 6) Divulgação; 7) Divulgação/TV Globo; 8) Link; 9) Divulgação; 10) Reprodução

E para você, quem merece o troféu Sete Fios nas categorias mencionadas acima? Dê sua opinião.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Perdidos 1 - Marta Suplicy

Faço esse texto para mostrar ao mundo a total incapacidade de localização de alguns repórteres dessa revista. Cito nomes: Carla (eu), Eliseu e Mari. Nós, neuróticos e perdidos que somos, saímos da USP com quase duas horas de antecedência para chegar até um prédio pertinho da Av. Brigadeiro Faria Lima para fazer a entrevista com a Marta Suplicy. Fomos na maior lerdeza, esperamos o melhor ônibus, descemos, andamos com calma, achamos o endereço certinho, vimos que o edifício era azul, ficamos pensando em como iríamos voltar para a faculdade, comentamos sobre o luxo do bairro, olhamos onde era a entrada do prédio. E depois de tudo ainda faltava uma hora para a entrevista começar.

Ótimo... uma hora na rua sem nada para fazer. Decidimos sentar em algum lugar para tomar um sorvete porque estava um calor daqueles. Da frente do prédio onde a entrevista aconteceria começamos a andar: demos meia volta no quarteirão – fomos reto, dobramos à esquerda e à esquerda novamente. Sentamos em uma padaria simpática, ficamos revendo as perguntas, tomando sorvete e assistindo à novela do Vale a Pena Ver de Novo, Alma Gêmea.

Faltando 20 minutos para a hora marcada, pagamos a conta e saímos da padaria para dar tempo de chegarmos com antecedência à entrevista. Continuamos o trajeto que havíamos feito antes, para completar a volta no quarteirão: dobramos à esquerda e à esquerda novamente. Ou seja, estávamos na mesma rua de onde havíamos saído pouco antes. Mas aí surgiu a dúvida: temos que ir para a direita ou para a esquerda? Cadê o prédio?

Eliseu vê um edifício de longe: “É aquele ali, vamos para a direita.”
Eu desconfio: “Mas estamos rodando no mesmo quarteirão, temos que continuar na esquerda.”
Fomos andando para a direita...
Mari não sabe onde está: “A gente atravessou esta rua? Eu não lembro... Que rua é esta?”
Eliseu começa a ficar desesperado com o horário, mesmo nós estando 15 minutos adiantados: “Vamos, é aquele ali ó!”
Eu me lembro da cor do prédio: “Não é aquele! O nosso é azul, de vidros azuis.”
Mari tem uma ideia sensata: “Vamos ver o número!”
Eliseu continua a se desesperar e passa a andar mais rápido: “Temos que subir.”
Eu, como toda minha capacidade numérica: “Para subir temos que ir para a esquerda.”
Uma quadra depois...
Eliseu, já a passos largos: “Mas, Carla, os números estão diminuindo!”
Eu, tonta: “Foi mal, bem que eu não estava vendo nenhum prédio azul...”
Mari, pedida: “Eu não sei como chegar. Como nos perdemos em uma rua?”
Eliseu, nos apressando: “É aquele que eu vi mesmo, vamos voltar!”
Andando....
Eu, ainda desconfiada: “Mas o prédio era azul, não é aquele!”
Eliseu, tenso: “É sim! Deve ser porque os vidros estavam refletindo o céu aberto e agora que está com muita nuvem o prédio parece cinza de longe.”
Já na frente do tal prédio...
Mari: “Não é esse mesmo, a Carla está certa, o nosso é azul. Estávamos certos.”
Eliseu: “Então vamos voltar!”

Aí, conseguimos ver. Ele, o prédio azul, estava logo ali do nosso lado, escondido atrás de outro arranha-céu.

Chegamos com pouquíssimos minutos de antecedência: Eliseu com palpitações, eu rindo por termos conseguido a proeza de nos perder em uma rua e Mari fazendo a óbvia constatação: "isso vai para o blog"!

Moral da história: confie no seu senso de cor (ou A Carla não é daltônica)

Carla Peralva

Entrevistas difíceis 1 - Marta Suplicy

Ai, como é difícil entrevistar pessoas importantes, que dão entrevistas com frequência, têm potencial para falar coisas polêmicas e possuem grande visibilidade... Foi o caso da entrevista com a Marta Suplicy (PT-SP). Ela dá entrevistas desde sempre, escreve colunas para grandes jornais do país, já participou de vários debates, sabe falar muito bem, entende muito de política e havia dado declarações contrárias à candidatura de Ciro Gomes pelo PT de Sampa, que é do gosto de Lula.

O que perguntar? Quanto e como se preparar (mesmo tendo certeza que sempre entenderemos menos que ela sobre qualquer assunto relacionado ao PT ou à política)? Como não cair no óbvio e perguntar o que sairia em qualquer outro veículo? Focar nas declarações feitas há poucos dias ou fazer perguntas mais pessoais?

Tudo aquilo que nos ensinam na faculdade fica evidentemente verdadeiro: devemos nos preparar muito muito antes de qualquer entrevista, ler o que já foi publicado sobre o entrevistado, evitar repetir perguntas, escolher quais delas fazer primeiro para ganhar a confiança do entrevistado e, principalmente, nos manter no controle da condução da conversa.

Primeiro que já foi um choque ela ter aceitado facilmente falar com uma revista online que ainda está começando. Uma das explicações possíveis é que ela também está se lançando no mundo da comunicação internética (colocou a pouco tempo o MPost no ar) e sabe como é estar com um projeto novo. Na verdade, pode não ter nada a ver com isso, mas foi uma coisa com a qual a gente se identificou.

Decidimos ler tudo que havia saído nos últimos dias sobre o PT e sobre ela e dar uma olhada na história de sua carreira política. Escrevemos todas as perguntas que vieram na nossa cabeça e as separamos por temas – política paulista, política nacional, vida de política e crenças. Depois, decidimos quais as mais importantes, que seriam feitas primeiro, já que só teríamos 30 minutos. Resolvemos que as questões sobre o governo paulista e sobre como levar uma vida de política sustentariam a entrevista. E realmente, esses temas dominaram a conversa, mas a política nacional acabou surgindo e se impondo como um assunto necessário e relevante.

No final, a entrevista durou 50 minutos. Não sabemos se a entrevista está de estourar a boca do balão, mas acreditamos que as perguntas estão à altura da entrevistada (e dos leitores, claro, sempre). Esperamos, na verdade.

Carla Peralva