sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Entrevistas difíceis 1 - Marta Suplicy

Ai, como é difícil entrevistar pessoas importantes, que dão entrevistas com frequência, têm potencial para falar coisas polêmicas e possuem grande visibilidade... Foi o caso da entrevista com a Marta Suplicy (PT-SP). Ela dá entrevistas desde sempre, escreve colunas para grandes jornais do país, já participou de vários debates, sabe falar muito bem, entende muito de política e havia dado declarações contrárias à candidatura de Ciro Gomes pelo PT de Sampa, que é do gosto de Lula.

O que perguntar? Quanto e como se preparar (mesmo tendo certeza que sempre entenderemos menos que ela sobre qualquer assunto relacionado ao PT ou à política)? Como não cair no óbvio e perguntar o que sairia em qualquer outro veículo? Focar nas declarações feitas há poucos dias ou fazer perguntas mais pessoais?

Tudo aquilo que nos ensinam na faculdade fica evidentemente verdadeiro: devemos nos preparar muito muito antes de qualquer entrevista, ler o que já foi publicado sobre o entrevistado, evitar repetir perguntas, escolher quais delas fazer primeiro para ganhar a confiança do entrevistado e, principalmente, nos manter no controle da condução da conversa.

Primeiro que já foi um choque ela ter aceitado facilmente falar com uma revista online que ainda está começando. Uma das explicações possíveis é que ela também está se lançando no mundo da comunicação internética (colocou a pouco tempo o MPost no ar) e sabe como é estar com um projeto novo. Na verdade, pode não ter nada a ver com isso, mas foi uma coisa com a qual a gente se identificou.

Decidimos ler tudo que havia saído nos últimos dias sobre o PT e sobre ela e dar uma olhada na história de sua carreira política. Escrevemos todas as perguntas que vieram na nossa cabeça e as separamos por temas – política paulista, política nacional, vida de política e crenças. Depois, decidimos quais as mais importantes, que seriam feitas primeiro, já que só teríamos 30 minutos. Resolvemos que as questões sobre o governo paulista e sobre como levar uma vida de política sustentariam a entrevista. E realmente, esses temas dominaram a conversa, mas a política nacional acabou surgindo e se impondo como um assunto necessário e relevante.

No final, a entrevista durou 50 minutos. Não sabemos se a entrevista está de estourar a boca do balão, mas acreditamos que as perguntas estão à altura da entrevistada (e dos leitores, claro, sempre). Esperamos, na verdade.

Carla Peralva

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