Faço esse texto para mostrar ao mundo a total incapacidade de localização de alguns repórteres dessa revista. Cito nomes: Carla (eu), Eliseu e Mari. Nós, neuróticos e perdidos que somos, saímos da USP com quase duas horas de antecedência para chegar até um prédio pertinho da Av. Brigadeiro Faria Lima para fazer a entrevista com a Marta Suplicy. Fomos na maior lerdeza, esperamos o melhor ônibus, descemos, andamos com calma, achamos o endereço certinho, vimos que o edifício era azul, ficamos pensando em como iríamos voltar para a faculdade, comentamos sobre o luxo do bairro, olhamos onde era a entrada do prédio. E depois de tudo ainda faltava uma hora para a entrevista começar.
Ótimo... uma hora na rua sem nada para fazer. Decidimos sentar em algum lugar para tomar um sorvete porque estava um calor daqueles. Da frente do prédio onde a entrevista aconteceria começamos a andar: demos meia volta no quarteirão – fomos reto, dobramos à esquerda e à esquerda novamente. Sentamos em uma padaria simpática, ficamos revendo as perguntas, tomando sorvete e assistindo à novela do Vale a Pena Ver de Novo, Alma Gêmea.
Faltando 20 minutos para a hora marcada, pagamos a conta e saímos da padaria para dar tempo de chegarmos com antecedência à entrevista. Continuamos o trajeto que havíamos feito antes, para completar a volta no quarteirão: dobramos à esquerda e à esquerda novamente. Ou seja, estávamos na mesma rua de onde havíamos saído pouco antes. Mas aí surgiu a dúvida: temos que ir para a direita ou para a esquerda? Cadê o prédio?
Eliseu vê um edifício de longe: “É aquele ali, vamos para a direita.”
Eu desconfio: “Mas estamos rodando no mesmo quarteirão, temos que continuar na esquerda.”
Fomos andando para a direita...
Mari não sabe onde está: “A gente atravessou esta rua? Eu não lembro... Que rua é esta?”
Eliseu começa a ficar desesperado com o horário, mesmo nós estando 15 minutos adiantados: “Vamos, é aquele ali ó!”
Eu me lembro da cor do prédio: “Não é aquele! O nosso é azul, de vidros azuis.”
Mari tem uma ideia sensata: “Vamos ver o número!”
Eliseu continua a se desesperar e passa a andar mais rápido: “Temos que subir.”
Eu, como toda minha capacidade numérica: “Para subir temos que ir para a esquerda.”
Uma quadra depois...
Eliseu, já a passos largos: “Mas, Carla, os números estão diminuindo!”
Eu, tonta: “Foi mal, bem que eu não estava vendo nenhum prédio azul...”
Mari, pedida: “Eu não sei como chegar. Como nos perdemos em uma rua?”
Eliseu, nos apressando: “É aquele que eu vi mesmo, vamos voltar!”
Andando....
Eu, ainda desconfiada: “Mas o prédio era azul, não é aquele!”
Eliseu, tenso: “É sim! Deve ser porque os vidros estavam refletindo o céu aberto e agora que está com muita nuvem o prédio parece cinza de longe.”
Já na frente do tal prédio...
Mari: “Não é esse mesmo, a Carla está certa, o nosso é azul. Estávamos certos.”
Eliseu: “Então vamos voltar!”
Aí, conseguimos ver. Ele, o prédio azul, estava logo ali do nosso lado, escondido atrás de outro arranha-céu.
Chegamos com pouquíssimos minutos de antecedência: Eliseu com palpitações, eu rindo por termos conseguido a proeza de nos perder em uma rua e Mari fazendo a óbvia constatação: "isso vai para o blog"!
Moral da história: confie no seu senso de cor (ou A Carla não é daltônica)
Carla Peralva
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Perdidos 1 - Marta Suplicy
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Eu até que me sinto super localizado quando ando com a Carla... - lembrando que eu sou o cara que levou outros 5 perdidos a andarem a pé da Paulista até o começo da Faria Lima passando pelo Pacaembu.
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