Durante os 5 dias de julgamento, pessoas e mais pessoas não paravam de chegar ao local. De estudantes de Direito a atendentes de telemarketing, tudo e todos em frente ao Fórum pedindo a condenação do casal Nardoni, acusado de jogar Isabella - filha de Alexandre e enteada de Anna Carolina - pela janela do apartamento. E desde então o Brasil parou...
Às vezes me pergunto como aqueles que passaram quase uma semana gritando e clamando por justiça ganham o famoso “pão de cada dia”. Oras, em quase nenhum trabalho, em nenhuma profissão, um funcionário pode simplesmente sair durante todo esse tempo com a simples justificativa de “assistir ao julgamento do pai e da madrasta de Isabella”. Apesar da grandiosidade do caso, nem no julgamento de Suzane Von Richthofen a comoção pública foi tão intensa. Faixas, vigílias, orações, gritos de ordem e tentativas de agressão foram comuns em frente ao FórumO que leva as pessoas a ficarem plantadas mais de 15 horas embaixo de chuva em uma fila imensa para entrar no Fórum e ouvir o casal Nardoni falar? É compreensível que um estudante de Direito faça isso. Poucos casos no Brasil são tão importantes quanto esse. Ouvi de muitos futuros advogados que esse julgamento vale como anos de aulas. Muito provável. Mas e os metalúrgicos, secretárias, donas de casa, atendentes de telemarketing e outros profissionais que fizeram plantão 24 horas no local? Talvez levem uma vida tranquila e não tenham nenhum problema familiar para resolver. Quem sabe suas contas bancárias estejam recheadas, suas crediários e cartões de créditos pagos e suas despensas abarrotadas. Ponto para eles e azar o meu.
Certamente milhares de pessoas – como eu – adorariam estar no julgamento e ouvir palavra por palavra do que a promotoria, a defesa, as testemunhas e os réus disseram. Como amante do Direito creio que todo o teatro ocorrido dentro do Fórum foi interessantíssimo, mas ainda assim não poderia jogar tudo para o alto e ir ao local soltar rojões e ficar dando socos e chutes no camburão em que o casal estava.
Certamente milhares de pessoas – como eu – adorariam estar no julgamento e ouvir palavra por palavra do que a promotoria, a defesa, as testemunhas e os réus disseram. Como amante do Direito creio que todo o teatro ocorrido dentro do Fórum foi interessantíssimo, mas ainda assim não poderia jogar tudo para o alto e ir ao local soltar rojões e ficar dando socos e chutes no camburão em que o casal estava.
O cúmulo do absurdo foi chutarem o pobre advogado de defesa. Segundo a Constituição todos, independente do que formos acusados, temos direito à defesa. Por que negar isso aos Nardoni? E ao contrário de muitos que estavam ali, o advogado estava sim trabalhando e conquistando seu “pão de cada dia”. Talvez os umbigos de todos precisem de mais atenção, já que é mais fácil jogar todas as pedras em quem virmos pela frente. Três palavras farão com que eu sempre me recorde desse julgamento: comoção pública e hipocrisia.
Créditos da foto: http://colunas.g1.com.br/aovivo/
Revista Sete Fios
Por Ana Carolina Athanásio
Ana, identifico no espetáculo que se tornou o Caso Isabella o que eu chamaria de "Síndrome do BBB". Preste atenção nos rostos de algumas pessoas nas filmagens feitas pelas redes de televisão. Não parece que estão lá para protestar, mas para aparecer na Globo e ganhar seus minutinhos de fama. É lógico que os verdadeiramente indignados também foram ao fórum de Santana. Só que as imagens revelam algo mais...
ResponderExcluir