quinta-feira, 25 de março de 2010

O guardarroupa do poder

No imaginário popular, as rainhas e princesas sempre foram símbolos de beleza e elegância. Basta observar os contos de fada: elas podiam até ser más, como a madrasta da Branca de Neve, mas feias e mal vestidas jamais.

Essa associação entre poder e aparência continua. É claro que os tempos são outros: as relações políticas, as mulheres e os vestidos mudaram bastante.

As maçãs envenenadas, por exemplo, já deixaram de ser usadas há um bom tempo. Contra inimigos políticos, os dossiês pagos são (ou deveriam ser) mais discretos e eficientes. As mulheres ganharam importância: na maioria dos países, elas não precisam mais esperar os maridos morrerem para ocupar cargos de poder. No âmbito fashion, as mangas bufantes e os sapatinhos de cristais – vedetes dos bailes de outrora – estão um pouco démodé.

Hoje, os tailleurs da Chanel fazem muito mais sucesso. Que o diga Carla Bruni. A senhora Sarkozy é exemplo de elegância, embora, recentemente, tenha cometido alguns deslizes ao exagerar no botox e economizar no sutiã. A rainha Rania, da Jordânia, é outro bom exemplo. Suas roupas, sua beleza e até seu nome exalam realeza e elegância.

Como, neste ano, o Brasil terá duas candidatas à presidência, a Sete Fios achou que esse era um bom momento para colocar em discussão a versão tropical 2010 do triângulo mulher-poder-moda.

Vale lembrar que o guardarroupa de uma rainha, princesa, primeira-dama ou presidenta não precisa necessariamente refletir as passarelas de Paris ou as vitrines da Rodeo Drive e da Rive Gauche. Para ser elegante, em primeiro lugar, é preciso ser coerente. A roupa, o cabelo e até as expressões faciais têm que estar em sintonia com sua imagem política.


Nesse aspecto, os figurinistas das animações da Disney eram mestres. O alfaiate da madrasta da Branca de Neve colocou toda altivez da personagem naquela gola branca e no vestido roxo e preto. O mistério ficou por conta da capa, dos cabelos escondidos e da maquiagem carregada. Em A Bela e a Fera, a coerência também foi total. O vestido amarelo reluzente de Bela lembra riqueza/ouro e posiciona a personagem no seu novo lugar no mundo - a realeza. Já os cabelos semi-presos lhe dão um ar jovem/doce e remetem ao passado camponês.

E as candidatas brasileiras? Será que elas seguem esse princípio de moda coerente à imagem? Dilma Rousseff não era (e continua a não ser) símbolo de elegância. Os marketeiros têm a díficil missão de costurar a fama de séria e trabalhadora da ministra a uma aparência simpática e humana. Não, não é fácil. E nem o investimento foi pequeno. O novo penteado e as plásticas para esconder as rugas têm o objetivo expresso de convencer o eleitor de que Dilma pode ser tão carismática quanto o atual presidente. E a imagem da candidata ainda tem que deixar transparecer uma figura feminina forte, resoluta e capaz de enfrentar de igual para igual os tubarões de Brasília. Não é tarefa para qualquer fada madrinha, mas, por enquanto, os esforços não foram em vão e Dilma vem ganhando forças nas pesquisas. Resta saber se o eleitor será capaz de identificar tantas e tão diversas qualidades no novo look que a ministra anda desfilando por aí.

Já Marina Silva abusa dos vestidos longos, xales e coques circundados por tranças. Todos hão de concordar que a combinação não é o último grito da moda outono-inverno 2010, mas vale lembrar que Marina nunca teve a pretensão de ser uma it girl. Em seu perfil, publicado na piauí de janeiro, a senadora se define da seguinte forma: "Eu faço tudo com muita discrição e cuidado. Não sou do tipo que vai produzir frases de efeito ou falar coisas bombásticas". Portanto, no quesito coerência comportamento-imagem, Marina leva nota dez. Nada mais discreto e pouco bombástico do que saias longas, tranças e xales.

E vocês, o que acham? Nossas presidenciáveis têm potencial para entrar no seleto grupo de princesas da Disney?

Fotos: Reprodução

Mariane Domingos e Tainara Machado

Revista Sete Fios

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