A obra contempla ainda os primeiros anos de Gabo como jornalista em Bogotá, e a narrativa é interrompida no momento em que ele é enviado como correspondente para a Europa. Os bares, a vida boêmia, as descobertas e a vida romanceada de jornalista que ele levava contribuíram muito para influenciar minha escolha perante o vestibular, alguns anos mais tarde.
Após esse livro, García Márquez abandonou o projeto e, de certa forma, decidiu entregá-lo a Gerald Martin, autor de Gabriel García Márquez - Uma Vida, recentemente lançado pela Ediouro.
Porém, no quinto volume da coleção Obras Jornalísticas, publicada pela Record no Brasil, suas crônicas em parte conseguem completar um pouco desse espaço deixado órfão. Entre os textos, publicados em diferentes jornais de 1961 a 1984, o que mais me impressiona é algo que já havia chamado minha atenção há muito tempo: a presença dos personagens de seus romances em sua realidade cotidiana.O realismo mágico, aqui, perde parte do encanto porque parece ser mais real do que mágico. Em uma das crônicas, o escritor colombiano relata a visita de um editor espanhol aos pais dele em Cartagena de Indias.
Lá, encontram uma neta que na noite anterior havia se desdobrado em duas e a tia Elvira, que chega na casa após 15 anos de ausência apenas para anunciar que viera para se despedir, pois já estava quase morrendo.
Ao fim da viagem, o visitante chega a mesma conclusão a que nós, leitores, alcançamos quando fechamos os livros de narrativas com traços biográficos de Gabo: "Você não inventou nada em seus livros. Você é um simples escrivão sem imaginação".
Por Tainara Machado
Imagem Divulgação
Revista Sete Fios
"Garcia Marques" tb é um dos meus autores favoritos... através de seus Josés Arcádios, Ursúlas, o amor de Florentino por Firmina, o Jardim das begônias, ele coloca no papel a loucura que é a América do Sul...
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